Chris Bueno

Artista visual com pesquisa em fotografia. Sua produção visual abrange diversas técnicas - como videoarte, bordado, fotografia e colagens digitais - a partir de temáticas que perpassam sua experiência subjetiva como mulher-artista-mãe neurodivergente. Tais investigações artísticas se associam ao estranho e ao inconsciente através de referências em psicanálise e arte, apropriação de imagens vernaculares e médicas sobre os corpos de mulheres, experimentos com fotografia pinhole aliadas à imagens feitas com inteligência artificial, além da fotografia direta realizada com filtros, luzes e distorções. A artista busca, com tais intervenções, uma passagem ao seu universo íntimo e pessoal jogando luz em questões sobre saúde mental, violência de gênero e os tabus a elas relacionadas.

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Alices - 2023

Apropriação de imagens vernaculares e médicas sobre os corpos de mulheres, experimentos com fotografia pinhole aliadas à imagens feitas com inteligência artificial, além da fotografia direta realizada com filtros, luzes e distorções. A série é formada por 20 imagens das quais selecionei 1o para a convocatória/A histeria era a doença que mais era atribuída a mulheres dos séculos XIX e XX, uma das características da doença destacada pelos médicos responsáveis pelos hospícios era o não cumprimento dos deveres de esposa e mãe de família. Mulheres que preferiam ter romances, estudar, trabalhar fora de casa a cuidar das obrigações domésticas “descumpriam “a essência do feminino segundo os padrões da época precisavam de tratamento manicomial. Na presente série intitulada Alices (2023) utilizo tecnologia IA aliada à minhas fotografias digitais, além de apropriação de fotografias do século XIX de pacientes de hospitais psiquiátricos - em especial o Hospital da Salpêtrière, berço da neurologia e da psicanálise.  Tais imagens atualizadas frente à pesquisa sobre a História da Loucura (Foucault), a Invenção da Histeria (Didi Hubberman) e buscas sobre novas possibilidades farmacológicas para a minha condição como paciente neuro divergente, me deparei com estudos sobre a Psilocibina, um princípio ativo dos chamados “cogumelos mágicos”.  O corpo visual dessa trama imagética - que combina arte e loucura através da rede de dados, da inteligência artificial, da fotografia analógica médica do sec. XIX, da fotografia, da câmera pinhole e da fotografia digital - ainda resgata o diálogo lisérgico com a célebre Alice no país das maravilhas (L. Carroll) e sua jornada de autoconhecimento. Aqui busco, com tais intervenções, uma passagem ao seu universo íntimo e pessoal jogando luz em questões sobre saúde mental, violência de gênero e os tabus a elas relacionadas.     

Folie Circulaire - 2020 a 2022

20 fotos as quais precisei selecionar 10/Folie Circulaire na tradução livre, festa ou loucura circular, foi um termo médico surgido no final do século XIX que então denominava os ciclos de mania, de excitação e depressão em pacientes, que atualmente recebem o diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar (TBA).

É uma série fotográfica realizada entre 2020-22 na qual busco elaborar algumas das minhas questões psíquicas e da experiência como mãe de três filhos. Em tempos de pandemia, a produção desse corpo de trabalho foi marcada por solidão, reclusão, distanciamento físico e outras indagações.  Soma-se à produção eventos autobiográficos e existenciais, que me levam a questionamentos de toda ordem para além do eu: o que de mim está contido em meus filhos? 

'Folie Circulaire’ busca incitar algumas interpretações destas dúvidas, representar a dinâmica cíclica de estados emocionais que se alternam entre extremos. Visibilizo experiências a partir da minha condição de sujeito que está em relação com o coletivo. Proponho construir um ponto a mais de convergência entre o eu e a alteridade. 

Distorções, anestesiamentos, anormalidades e alterações são intencionalidades na construção dessas fotografias A edição busca visibilizar as alternâncias cíclicas destes estados - entre a festa e a loucura - criando um olhar móvel e pendente que oscila entre o alto e o baixo sem perder de vista o percurso entre um e outro.