Daniela Torrente
Daniela Torrente (São Paulo, 1976), vive e trabalha em São Paulo. Pós-graduada em Práticas Artísticas Contemporâneas (FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo, Brasil) e em Imagem, Processos, Gestão e Cultura Contemporânea (CEI – Centro de Estudos da Imagem Madalena, São Paulo, Brasil). Graduada em Artes Visuais, pela Faculdade Santa Marcelina, São Paulo, Brasil. Seu trabalho é parte de acervos como o do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) e do Museu de la Univesidad de Alicante, Espanha (MUA). Foi premiada na 15a. Bienal de Artes Visuales mulier, mulieris na Espanha. Participou da seção de leitura de portfólio Descubrimientos no Festival Internacional de Fotografia PhotoESPAÑA 2022. Sua pesquisa tem como eixo o deslocamento forçado, partindo da experiência pessoal enquanto descendente de sobreviventes do genocídio armênio. Questões como a interrupção da vida cotidiana, o impacto na vida das mulheres em situação de refúgio e suas descendentes, expandindo para temas como a construção da identidade, a importância das mulheres na guarda da memória e preservação da cultura, o apagamento, o preconceito, a opressão, a fé religiosa, a reorganização social e o não pertencimento constituem vertentes importantes da pesquisa. Utiliza a fotografia como base, mas também apresenta intervenções em fotografias, objetos, vídeos, pintura e instalações.
Sombra de Vitória - 2020
Impressão sobre papel de algodão, 150x100cm, 12 fotos, Na Era Vitoriana (1837 a 1901), período do reinado da Rainha Vitória na Inglaterra, com a chegada das câmeras fotográficas, as mães inglesas buscavam ter uma lembrança de seus filhos ainda pequenos. Porém, nessa época, a fotografia precisava de uma longa exposição e isso era um desafio na hora de fotografar bebês e crianças sem paciência que não paravam quietas.
A solução adotada pelos fotógrafos foi incluir as mães nas fotos, para que as crianças se acalmassem, porém, as mães não podiam aparecer. Para isso eram “disfarçadas” com cortinas, toalhas, colchas ou qualquer pano que as cobrissem por completo.
Na fotografia fica óbvio a presença materna, o que nos traz uma estética afetiva e ao mesmo tempo perturbadora.
A partir desse fato histórico, desenvolvo essa série para provocar novamente essas reflexões e ampliar a discussão trazendo para a contemporaneidade.
Certamente, hoje podemos trazer outras leituras como a invisibilidade da mãe, a mulher na sociedade patriarcal, a falta de identidade própria, a ausência do pai e ainda a negação de si mesma priorizando os filhos.











