Fernanda Klee
Natural de Porto Alegre, atualmente residindo em São Paulo. Formada em Fotografia em 2014, meus estudos também passaram pelas áreas de arquitetura e design. Desde 2013, tenho me dedicado ao desenvolvimento de projetos autorais através de cursos, grupos de estudo e residências artísticas, onde tenho aprofundado minhas pesquisas e práticas relacionadas à fotografia e à imagem.
Minha produção artística é centrada na investigação do corpo humano, da natureza humana e da identidade, abordando questões sociais, políticas e de gênero. Para me expressar utilizo fotografia, colagem, costura, performance, objeto e vídeo, explorando as camadas e complexidades da experiência humana contemporânea.
Apagadas - 2017
Série de fotografias e vídeos / 4 trípticos / A série Apagadas reflete sobre os múltiplos apagamentos que atravessam a vida das mulheres. Esse apagamento é político, histórico, estrutural e cotidiano. Quantas existências foram ceifadas ou reduzidas ao espaço doméstico, à servidão, ao corpo explorado, ao trabalho invisível, ao esquecimento? O esquecimento é uma ferramenta política, e resistir à ele também é um ato político.
Para materializar esse apagamento, eu utilizei imagens de mulheres da minha família, impressas em acetato com tinta vermelha. Submersas na água, as imagens se dissolvem lentamente, num processo que simboliza a corrosão de memórias, corpos e vozes. Na dissolução, evoco não apenas a perda, mas a permanência. Porque aquilo que desaparece deixa rastros, o que é esquecido ainda pulsa em algum lugar. A ausência é um vestígio, um corpo que grita no vazio.
O gesto repetido - a impressão, a submersão, o desaparecimento - torna-se ritual e denúncia. Apagadas é um ritual de dissolução, mas também de resistência e memória. O que resta depois que tudo se dissolve? Para onde escorrem aquelas que já não têm corpo? Como reescrever a presença daquelas que vieram antes?
Sonar - 2016
Série de fotografias / 6 imagens / A série Sonar investiga a transformação dos corpos, onde identidade, metamorfose e efemeridade ressoam num fluxo contínuo. A água dilui formas e dissolve contornos, provoca uma transição onde o familiar e o desconhecido se entrelaçam criando ecos no tempo e no espaço - vestígios de um corpo, reverberações de uma existência.
Ao submergir, os corpos abandonam a rigidez e as suas certezas, e se tornam vibração, sensações. A água é um campo de ressonância, onde o corpo passa por uma transição entre diferentes estados de ser e consciência. A fluidez, o ritmo, a respiração, tudo é expressão, é sentimento. Fluxos de sentidos e memórias que continuam a soar.





















