Malu Teodoro

Malu Teodoro é rondoniense, tem quase 40 anos e é mãe solo de uma criança de 7. Viveu e trabalhou em São Paulo, cidade do México, Belém do Pará, Lisboa e atualmente se encontra em Uberlândia, Minas Gerais. Como artista, seu material é a própria vida, os traumas, as relações e os afetos. Tem formação multifacetada, com especialização em nada, transitando por diversas linguagens como o audiovisual, a fotografia, a literatura e a performance. Quando possível, junta tudo. Tem duas graduações, muitas formações, residências e exposições, coletivas e individuais, inventa projetos culturais, mais um sem-fim de coisas. Atualmente tem buscado finalizar tudo o que começou – como projetos e licenciatura, cuidar do corpo, da casa, da terra e das pessoas ao redor. Retomar esportes, lazer, alegria e sonhos. Tudo isso também deve caber dentro da arte.

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A criança está viva - 2024

Impressão em tecido oxford, bordado manual e bico de crochê / Conjunto de 10 fotografias / 45 x 61 cm (cada)

A Criança está viva é a décima e última imagem da obra Você está morta, encerrando com vida uma série fotográfica sobre a invisibilidade do trabalho materno e a violência intrafamiliar, finalizada em bordado e bico de crochê realizados por mulheres próximas à artista, como sua mãe, tias e filha. 

A menina é a mãe da mulher - 2023 

Tríptico de cianotipia sobre cortina de brim (230 x 150 cm cada) + cianotipia sobre papel em releitura à obra "Por um fio", de Anna Maria Maiolino (52 x 60 cm) / 4 fotografias   

Desde que se tornou mãe em 2018, a questão da maternidade tem sido central na prática artística da artista. A técnica da cianotipia tornou-se importante, especialmente após o nascimento de sua filha, oferecendo uma alternativa segura e acessível para expressão artística, enquanto explorava a botânica e o vínculo materno-filial. Nessa obra, a representação de avó, mãe e filha nas cortinas reflete uma profunda introspecção, com a imagem da mãe surgindo de forma menos definida, mas carregada de transparência e identidade, simbolizando o processo de autoconhecimento e cura através da arte. Essa obra, além de explorar aspectos pessoais, dialoga com temas universais da maternidade e da transformação feminina, convidando os espectadores a refletirem sobre a complexidade e a beleza desse ciclo de vida.

(Texto do artista, editado pela equipe do MUnA)