Marina Luna
Marina Luna é fotógrafa, artista, graduada em arquitetura e urbanismo (UNICAMP) e mestre em história da arquitetura (FAU-USP).
Realizou sua primeira exposição individual: “Todo Italiano”, em 2012, dentro da programação do festival Hercule Florence, em Campinas. No ano seguinte, expôs na galeria Sede (Campinas -SP) a mostra “Espaço Construído”. Em 2017, ficou entre as finalistas do concurso Visualidade Nascente, participando com 4 obras de uma exposição coletiva MAC USP. Em 2024, participou com 2 obras da exposição coletiva, "Maré Alta", com curadoria de Imina Walczak, em Poznan, Polônia.
Em 2019, produziu o fotolivro “Por que Emma deseja um amante?”; no ano seguinte, desenvolveu o fotolivro “Obras do meu avô”. No momento está finalizando seu terceiro fotolivro, que trata sobre as transformações internas despertadas pelo puerpério.
Paralelamente, Marina trabalha com fotografia de arquitetura desde 2014, e mais recentemente começou a retratar famílias em seu cotidiano.
Nada melhor do que se banhar no doce calor das águas amnióticas - 2025
Comecei o projeto “Nada melhor do que se banhar no doce calor das águas amnióticas” com o propósito de contar e elaborar o que havia sido o meu puerpério. No início, queria apenas relatar aquilo que senti, mas, à medida que fui desenvolvendo, outros temas e questões começaram a se entrelaçar. A maternidade, de uma forma que eu não tinha previsto, foi se abrindo como um grande território a ser explorado. Não só as questões físicas, que eu imaginava serem o centro, mas também as sociais, as expectativas, e, claro, a relação com a minha própria mãe.
Quando me tornei mãe, uma percepção me veio com uma clareza que eu não tinha antes: eu não sabia absolutamente nada sobre o que é ser mãe. Nenhuma das imagens que tinha construído sobre isso resistiu ao momento em que meu filho nasceu. A maternidade, por mais antiga e atávica que seja, revelou-se um território desconhecido, um terreno estranho onde se misturam o prazer e o pânico, a doação e o esgotamento. Então, me veio o questionamento: como construir uma sociedade em que as pessoas compreendam o que significa o trabalho, a entrega, a dedicação que a maternidade exige? Como algo tão fundamental pode ser tratado com tanta indiferença e até mesmo com certo desprezo?
Mães são chamadas de guerreiras, no entanto quando um combatente retorna da guerra, mesmo que ninguém tenha ideia do que seja realmente vivê-la, há sempre uma reverência, um respeito por sua história, pelos feitos, pelos traumas, ainda que essas guerras sejam, quase sempre, causadas por motivos medíocres e desumanos. A recepção em relação às dificuldades, dores e cicatrizes dessas mães “guerreiras” me parecem muito distintas das dos soldados. Apesar da aparente admiração surgem novas cobranças, julgamentos e metas inatingíveis.
Minha série “Nada melhor do que se banhar no doce calor das águas amnióticas” busca compreender e criar um lugar para a mãe que nasceu junto com minha cria.









