Marina S. Alves

Marina, 38 anos, nasci em Belo Horizonte - Minas Gerais, mas sou cria da Zona Sul do Rio de Janeiro. Fotógrafa educadora, curadora independente, artvista, praticante de Capoeira Angola e articuladora do espaço multidisciplinar Ateliê Casa 3 localizado em Inoã-Maricá. Entro na militância no momento em que me descubro mulher negra há mais de 10 anos atrás. A partir desse momento começo a desenvolver projetos dentro do campo de empoderamento das populações marginalizadas. Dentre eles atuei no projeto A Cor da Cultura, onde participei como formadora com educadores das Escolas Públicas e Privadas em Educação das Relações Étnico-raciais e mais tarde no Centro de Articulação das Populações Marginalizadas (CEAP) quando coordenei um grupo de formação de professores na temática das relações raciais em diferentes distritos do Rio de Janeiro. Na fotografia, atuo como fotógrafa de eventos, principalmente de eventos produzidos pelos movimentos sociais de Mulheres e Movimentos Negros, e no cinema trabalho como Operadora de câmera, Diretora de fotografia e Assistente de câmera. Fui diretora de Fotografia do longa-metragem Sementes: Mulheres Pretas no poder (Dir. Julia Mariano e Ethel Oliveira), SobreNós (Dir. Naína de Paula - Globoplay) e dos curtas Um grito parado no ar de Leonardo Souza - LabCurta) e do Que minhas únicas cicatrizes sejam de Sk8, esse último vencedor do Júri técnico no Festival Internacional Fazendo Gênero. Jurada do concurso de fotografia Prix da Aliança Francesa durante dois anos. Atuei como videomaker na equipe de Photo & AV da Netflix na série Os quatro da Candelária e em meu último trabalho fui 1a assistente de câmera no longa-metragem ficcional Percursos dirigido pela cineasta Sil Azevedo. Atualmente sou coordenadora da Oficina de Audiovisual do Programa Cultura de Direitos oferecido pela Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de Maricá e integro a equipe de curadoria do FotoRio desde 2023.  

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Amamentamos esse país - 2019

Fotografia digital 

Nasce da reflexão sobre como a arte pode servir como resposta política para os assassinatos de jovens em prol de uma interminável “guerra às drogas” declarada pelo Estado Brasileiro contra a população em situação mais vulnerável. Sabemos a quem tal guerra é verdadeiramente declarada. Como não lembrar das mães pretas que tiveram seus filhos, se não assassinados, retirados de seus seios de forma tão precoce para alimentar os filhos dos barões? Como não permitir que essa história de passado-presente cheia de nuances e continuidades seja silenciada ou enviesada pela grande mídia, que faz a manutenção da lógica do sistema pautado pelo racismo estrutural? Este ensaio fotográfico busca valorizar outro ponto de vista. Estamos concebendo uma obra de arte que conta um pouco das histórias desses filhos pretos separados de suas mães pela estrutura racista que caracteriza e mantém passado e presente nesse país. É urgente voltarmos nossos olhos para essas Vidas. Quem foram eles? O que sonhavam? A quem interessa ouvir essas histórias interrompidas por tantas gerações? 

Este ensaio buscou acionar a partir do registro dos objetos guardados dos filhos que já não estão mais vivos histórias sobre a vida e trajetórias desses meninos e suas mães pretas.