Monique Olive

Monique Olive, brasileira, natural de Belo Horizonte e atualmente residindo no sul de Minas Gerais na cidade de Nepomuceno, com pós-graduação em biologia e formações complementares nas áreas de fotografia e hipnoterapia, atua como fotógrafa em projetos íntimos e de família e tem como coluna central do seu trabalho, a maternidade. Monique dedica-se a investigar o inconsciente feminino com relação ao período materno e de transição da vida da mulher, dos mergulhos e conflitos do puerpério, do relacionamento com os filhos e o quanto ser mãe pode ser uma experiência transformadora e fortalecedora. Sua pesquisa parte do seu próprio diário visual, inspirando e mobilizando mais mães por uma maternidade mais leve e possível, cada uma se empoderando do seu próprio caminho. Sua narrativa visual traz muito do que ela é como pessoa, como mulher e como mãe: muito contato com o sentir (sons, sensações, gostos), texturas, pele, misticismo, símbolos e mensagens que levam o olhar além da imagem, chegando a ser transcendental. Além da linguagem sensorial e documental, e por ser hipnoterapeuta, destaca-se pela capacidade de se conectar e de estar próxima aos personagens registrados, com empatia e profundidade, o que resulta em retratos expressivos e imagens subjetivas.

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Fiandeira - 2022

Série conceitual e de autorretratos / 10

Fiar é uma série que traz reflexões acerca da ancestralidade à partir da experiência da maternidade da autora. Ela questiona o quanto carregamos de nossas mães, avós e de toda a nossa linhagem materna dentro da nossa própria maternidade? O quanto colhemos diariamente das semeaduras das mulheres que vieram antes de nós? O quanto esta influência ajuda ou atrapalha? Quando é necessário romper e quebrar padrões? Quem vai fiar a sua linha materna? A maternidade acaba por acontecer como numa colcha de retalhos, pedaço a pedaço, reunindo experiências passadas e agregando as novas de uma maneira muito única, dançando no limiar entre o eu e o outro, entre o individual e o coletivo.

Submersa - 2022

Série conceitual e de autorretratos / 10

A maternidade é tão antiga quanto a humanidade. A reprodução humana sempre foi e ainda é um mecanismo essencial para a sobrevivência da nossa espécie. Com o nascimento dos bebês, automaticamente nasceriam as mães?

Bebês humanos precisam de cuidados parentais para sobreviverem. Nascem sem saber se alimentar, nem andar ou se defender. A biologia do corpo da mãe tende a se transformar em um hiperfoco para atender as necessidades do filhote ali, frágil e indefeso. Esta alteração impacta a sua forma de pensar, agir e viver de modo geral. Surge, desta forma, o maternar, um mundo que gira em torno de atender as demandas decorrentes da chegada do bebê, com o único e exclusivo objetivo de garantir a sobrevivência da espécie.

Entretanto, há séculos já não agimos mais apenas em função do instinto de sobrevivência. Nossa racionalidade vai muito além dele. Nosso contexto envolve muito mais além do simples natural. Nossa vida gira em torno de uma sociedade que busca visibilidade, aceitação e inclusão em padrões criados e estabelecidos como desejáveis para mães e famílias. Este período escancara fragilidades, culpa, desejo de não julgamento e a vontade de fazer com que a nova vida apenas se encaixe na velha.

Será que a mãe não pode escolher? Será que ela pode ter tudo que deseja sem ser consumida pelas demandas? De onde aparecem tantas demandas? Onde encontrar refúgio? Respiro? Tempo? Como sair desta imensa carga mental que envolve as mulheres contemporâneas no puerpério a ponto de aproximá-las ou mergulhá-las num burnout? O corpo padece. A alma chora. Os olhos gritam. Até quando? As demandas consomem a mãe a ponto de fazê-la sumir e se perder dentro do seu caos. A mulher, submersa.

O puerpério é um momento onde a saúde mental da mulher deveria ser a prioridade, e é muito negligenciado por todos que a cercam.