Ana Flor

Ana Flor é artista visual, produtora cultural, Conservadora e Restauradora de Bens Culturais Móveis/UFPel. Desde 2011 gerencia Alumiar Casa de Arte, único espaço cultural independente dedicado às artes visuais na região centro-sul do estado gaúcho. É co-criadora, curadora e produtora do Salão Costa Doce de Arte Contemporânea, edições 2021 e 2022. É idealizadora, produtora e curadora da Residência Artística – Ressoar, edição para artistas-mães em 2025. Articulou a criação e presidiu o Conselho Municipal da Cultura de Cristal entre 2017 a 2021, sendo a primeira presidente do conselho. De 2015 a 2022 foi oficineira de Artes em projetos sociais, centros de convivência e fortalecimento de vínculo e grupos da Rede de Atendimento Psicossocial. É Agente Territorial de Cultura do Programa Nacional dos Comitês de Cultura/MinC e atua no apoio a mulheres trabalhadoras da cultura para participação nas políticas públicas e nos ambientes de participação política. Realiza intervenções com bordado, palavras, flores e folhas em diversos suportes e coloca a câmera a serviço das causas político-afetivas. Identifica-se como uma artista etc, e busca trazer narrativas do feminino, da maternidade e dos amplos sentidos que possui a palavra casa. 

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Dossiê Nutrição - 2024 - em processo

Fotografia digital, 9 imagens. 

Essa experiência estética está conectada às experiências plurais de criação, colocando em evidência o doméstico e visibilizando o trabalho reprodutivo. Ademais, trata-se do uma fração da criação: nutrimos ao passo que nos doamos. Criamos enquanto criamos nossos filhos. O dossiê deposita a atenção e a intenção nos processos da vida doméstica, ou seja, é a própria experiência de fazer a grande poesia dessa obra. Criar é intervenção, e toda intervenção é política, vital, artística e ancestral. Quando sou a nutrição, me lembro que fui nutrida e lembro também quando não fui. Os registros são o diário da mãe-mulher que sou, por isso contém uma pluralidade de emoções que permeiam a vida-maternar.  O trabalho é a fricção do viver e criar, conectados ao ato de ser artista-mãe, mulher-mãe e das diversas hifenizações de si mesma. O endereçamento da criação artística se interconecta à criação dos filhos. Por isso esse trabalho não é exclusivamente uma criação individual e não atende aos parâmetros produtivistas do capitalismo, quando reconheço que ele é o próprio processo de sermos e vivermos. Assinamos, Ana Flor e Nina Petra mãe e filha.