Fabi Salomão
Fabiana Salomão é fotógrafa e tem 41 anos. Trabalha com fotografia de mulheres e famílias e realiza projetos autorais. Brasileira, pós-graduada em ciências sociais e jurídicas. Há alguns anos desenvolve um trabalho mais aprofundado com mulheres, gestantes e puérperas. E ainda retratos de terapeutas e especialistas no estudo mais aprofundado do universo feminino. Produzindo projetos envolvendo mulheres e algumas outras questões pessoais mais profundas. Tem uma filha de 6 anos e passou por três abortos após o nascimento da primogênita .
As mãos que não alcançam - 2022-2025
10 imagens/Há quatro anos, tento engravidar do meu segundo filho. Após múltiplos abortos, me vi diante de um desafio constante contra o tempo. Ao me aproximar dos 40, meus ciclos menstruais passaram a governar minha rotina, dividida entre duas esperas: a ovulação, que traz a esperança de ser mãe, e a menstruação, que confirma o fracasso. O vermelho se transformou em um sinal de dor. Encontrei na fotografia uma forma de expressar esse turbilhão interno, criando um espaço para representar meus processos e fazer do trabalho fotográfico um processo terapêutico com meus próprios traumas.
Falar sobre os sonhos interrompidos, as tentativas frustradas e as sombras que carrego é um ato que desafia minhas maiores inseguranças. Busco, em minhas vulnerabilidades, a força para levantar o véu da ignorância social, que insiste em silenciar a morte de um bebê no ventre de sua mãe. Ao perceber que minha dor era frequentemente silenciada pela sociedade, senti a necessidade de dialogar com outras mulheres sobre esse tema.
Após muitas conversas profundas, percebi que essa sensação de luto não permitido era uma experiência compartilhada.
A dor que nasce no lugar de um filho ausente é abafada, e a sociedade não reconhece o luto de uma mãe que nunca chegou a segurar seu filho. As mãos que nunca alcançam se tornam uma obsessão, e o vazio que permanece nunca se preenche. Durante toda essa trajetória de quase 5 anos, todo esse sonho foi sendo canalizado em buscas espirituais. E foi nesse lugar, que consegui respeitar e entender que eu não controlo absolutamente nada.
Este projeto tem como objetivo dar voz a essa dor e legitimar o meu luto, bem como de mães que perderam seus filhos durante a gestação, trazendo à tona um sofrimento muitas vezes ignorado e silenciado.









