Lia de Paula

Sou Lia, uma pessoa epidérmica e mãe solo de uma menina/mulher de 22 anos que ama os bichos. Formada em Cinema, sou fotógrafa por paixão e profissão, fascinada pela fotografia documental e pelo retrato de família. Também estudei Media Studies em Londres, Design e Ciências Sociais em Fortaleza, formações que moldaram meu olhar sensível e narrativo.

Minha trajetória começou no fotojornalismo, no Jornal O Povo, e se expandiu por diferentes esferas institucionais, passando pela Prefeitura de Fortaleza, Agência Senado, Ministérios da Educação, Cultura e Desenvolvimento Social e Governo do Estado do Ceará. Atuei na coordenação do educativo do Museu da Fotografia Fortaleza, na gestão de comunicação e redes sociais do projeto Viva@Ceará e na gestão de imagens da Pinacoteca do Ceará. Atualmente, estou responsável pela gestão e preservação de imagens nato-digitais no Instituto Mirante de Cultura e Arte.

Participei de exposições e publicações coletivas. Minha primeira exposição solo, Transposição do Centro, ocupou uma praça pública de Fortaleza com 62 metros quadrados de impressão fotográfica. Como curadora e fotógrafa, integrei o projeto O Que Não Nos Disseram, sobre violência contra a mulher. Sou também autora de Todo filho é filho da mãe?, uma pesquisa visual que reúne retratos e relatos de mães solo."

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Todo Filho é Filho da Mãe - 2016

Fotos e vídeos - Retratos e relatos da maternidade solo. 4 fotos e videos

Mãe, pessoa incondicional que nunca pode falhar! Proposta de pesquisa através de retratos e relatos para plataforma multimídia com mães que criaram seus filhos sozinhas.

A maternidade solo pode ser facilmente comparada a um musical onde você interpreta todos os personagens, gerencia a produção, o figurino e a direção da peça. E, pior, para uma plateia composta apenas de críticos! 

Ser mãe não é um estado civil, podemos estar em um relacionamento e mesmo assim ser mãe solo! O termo surgiu para designar aquelas mães que são as principais ou as únicas responsáveis pela criação da criança. Por qualquer motivo que seja, não podem contar com os pais na criação. 

"Todo filho é filho da mãe" tem a intenção de instigar debate sobre maternidade solo e a importância da participação efetiva/afetiva do pai e da mãe no processo de cuidar. Uma proposta de diálogo entre presença, ausência e sua relação com o conceito de família, algo que muda de tempos em tempos.

Por que muitas mulheres se encontram em situações em que seus filhos não perderam o pai, mas que o pai preferiu se perder deles? 

E a grande dúvida… como fotografar a ausência? Me veio uma imagem assim; um retrato posado, com iluminação controlada, fundo pintado, usando sempre uma lente 50mm, corpo inteiro, sem sorriso ou fortes expressões, em busca de uma “expressão da espera”. Marcar foco e olhar nos olhos de cada fotografada e não através da câmera criando uma barreira. Pensei em criar um vulto pela ausência do pai, uma imagem que por si só já trouxe muitos conflitos dentro da minha família, resolvi então, focar  na presença ao invés da ausência! Então veio outra grande dúvida, como fotografar a carga da maternidade?

Foram muitas transformações até eu entender que esse projeto era também um um auto-retrato… impossível falar do outro, sem falar de mim usando o retrato como estratégia de encontro e troca, como foco na história, na presença e nos silêncios. 

Esse projeto foi contemplado no XI Edital de Incentivo artes 2016 – Fotografia da Secretária de Cultura do Governo do Estado do Ceará.