Madame Pagu
Madame Pagu (Brasil) é uma artista multidisciplinar, escritora e educadora, que vive e trabalha na Itália. Constrói obras imersas no universo do feminino, investigando as dinâmicas de poder, a percepção do tempo e da identidade, e as habilidades da memória: referências conceituais e estéticas para suas práticas e experimentações poéticas.
Collage, arte têxtil, fotografia e novas mídias são as principais ferramentas que usa para desenvolver seus trabalhos, que já foram premiados e/ou selecionados para This Is Essential Work (Reino Unido), Madonnas & Fridas (Brasil), MonFest Biennial (Brasil), Festfoto (Brasil), Pequeno Encontro da Fotografia (Brasil), COCA – Center for Contemporary Artists (Itália), entre outros. Mostrou suas obras em exposições individuais e coletivas no Brasil, Itália, Argentina, Espanha, Itália, Turquia e Reino Unido.
Motherhood - 2020
Fotografia, collage, arte têxtil e intervenções destrutivas / 10 imagens
A maternidade é um estado e também um lugar. Estado de filiação e lugar físico onde se nasce. Nenhum dos seus significados garante a presença do amor e do cuidado. Porque existe uma verdade que foi assimilada ao longo dos anos sobre o amor materno. É uma verdade que segue uma função social de preservação da espécie a qualquer custo, já que o valor deste tema socialmente incontroverso é saturado por dogmas, mas não expõe completamente as inúmeras histórias de violência que se tornam uma ferramenta significativa para abrir uma sadia discussão sobre o tema e sua insustentabilidade, tendo em vista a perene sensação experimentada por um sem número de filhas que se vêm estrangeiras em suas próprias famílias e, cada uma à sua maneira, busca uma energia secreta para alcançar a própria libertação. Em MOTHERHOOD são tratadas as relações complexas e tóxicas entre mães e suas filhas. Relações estas que transbordam de violência psicológica, física e emocional, perpetrando a coexistência de memórias negadas (quando não violentas), e uma trágica negligência emocional. Este é um projeto que busca investigar os ângulos de toxidade de tais relações, incentivando um olhar livre de julgamentos ou pressupostos morais, com o fito de estimular o quanto da identidade de cada expectador tenha sido minada ou não por tais relações. É um desafio à noção posta e tradicional de maternidade. É levantar o véu que cobre as feridas e uma grande oportunidade de olhar para si mesmo e refletir o quanto de nossas atitudes são (ou não) uma repetição daquilo que vivemos, é uma oportunidade para saber se esse sentimento predatório repercute na vida hodierna. MOTHERHOOD são as memórias que habitam a artista.









