Mariana Hauck

Mariana Hauck vive e trabalha em Belo Horizonte. É graduada em turismo pela PUC-MG, com especializações em Turismo e Desenvolvimento Sustentável pela UFMG e UNISI-Itália, além de Gestão Cultural pela UNA. Em 2018 ingressou na Escola Guignard/UEMG, tornou-se bacharel em artes, com habilitações em fotografia e desenho. Atualmente desenvolve sua pesquisa em artes visuais no mestrado na Escola de Belas Artes/UFMG. Sua trajetória na arte é marcada por experimentações nas linguagens da fotografia, performance e desenho. De modo concomitante, sua pesquisa e produção visual estão associadas a temáticas como a paisagem, o corpo e a memória.

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Caqui - 2020

Fotografia Digital / 10 fotografias. 

Quando me mudei para aquela casa era o início do inverno. No jardim havia um enorme caquizeiro. Uma árvore peculiar, com a qual estabeleci um relacionamento afetivo. O caqui, como eu a chamava, era só um emaranhado de galhos secos que se entrelaçavam. ‘Está morta’, pensei. 

Após o rompimento de um casamento, logo antes da pandemia, eu e meu filho continuamos a viver nesta casa. Fizemos do jardim um lugar de encontros e brincadeiras, um espaço onde podíamos respirar, em um tempo quando estávamos todos confinados em nossas casas. Meus sobrinhos, que moravam na rua de cima, passavam as tardes brincando conosco, sempre ao lado do caqui. Era um tempo suspenso, no qual as dores eram esquecidas e a vida se refazia.   

Chega a primavera. Pequenos brotos surgem. Aprendi sobre o tempo e que somos feitos de fases. Fechamos e abrimos ciclos. Desde então, trouxe essa sabedoria da natureza para a minha vida. Vivo da mesma forma, frutificando, morrendo e renascendo. A série "caqui" versa sobre o feminino, a relação do corpo da mulher com o tempo, a maternidade e as diversas camadas envolvidas pela natureza do ciclo da vida.